Nosso código de trânsito é moderno e tem tudo para reduzir os alarmantes números do trânsito brasileiro. No período de 2007 a 2009 o número de acidentes em Aracaju superou a marca de 6000 registros/ano. As mortes em Sergipe, só no período 2006 a 2008, segundo o IML, foram 423 em média/ano.
É notório que a legislação por si só não é suficiente para mudar a realidade. Fiscalização e especialmente conscientização é imprescindível para a boa convivência no trânsito.
O conhecimento das regras básicas para pedestres, ciclistas e condutores associado à disposição de respeitar os mais frágeis, valorizar a própria vida e a das outras pessoas é o que complementa o bom convívio e a paz no trânsito.
Praticar gentileza é se colocar no lugar do outro, assim, certamente seremos capazes, por exemplo, de evitar o excesso de buzinas como protesto nos semáforos apenas para incomodar pedestres e outros condutores.
Gentileza sugere ser defensivo mantendo distancia segura dos outros veículos evitando colisões, evento comum nos cruzamentos das cidades. Gentileza é entender que a hierarquia do trânsito exige que sejamos cuidadosos com motociclistas, ciclistas, pedestres e outros atores. Afinal todo esforço vale a pena para diminuir as estatísticas e salvar vidas.
Gentileza é respeitar os limites de velocidade, sobretudo nas rodovias. É fato conhecido que os acidentes mais graves acontecem exatamente nas melhores rodovias. Com os investimentos na qualidade das rodovias sergipanas registrados nos últimos anos também temos visto o crescimento dos acidentes.
Acelerar alem dos limites, dentro ou fora do perímetro urbano, é assumir o risco de matar e morrer. Quando vemos placas e sinalização no solo das vias, precisamos considerar que aquelas determinações decorrem de estudos técnicos e que o risco de acidentes é real. Ignorá-las não é inteligente.
Gentileza é ter clareza que ingerir álcool e dirigir, além de ser crime, expõe o condutor a grandes riscos, alguns acabam por provocar acidentes de grandes proporções ceifando a vida de pessoas inocentes.
Gentileza é respeitar o Código de Trânsito como propósito de paz e para melhorar a qualidade de vida dos moradores do seu estado, da sua cidade, do seu bairro, mas especialmente a sua e a de seus familiares. Pense nisso!
Sydnei Ulisses de Melo e consultor em relação de consumo e trânsito sydneiulisses@gmail.com - www.sydnei-ulisses.blogspot.com
sexta-feira, 11 de junho de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
GENTILEZA GERA GENTILEZA
Durante anos José Datrino se tornou conhecido do povo do Rio de Janeiro e de outras cidades. Paulista do interior José dedicou boa parcela de sua vida a pregação da gentileza como forma de salvar a humanidade que sempre esteve e está as voltas com a falta de sensibilidade, respeito às pessoas, ao meio ambiente e, sobretudo com falta de gentileza.
A vida do "profeta" Gentileza ou José Agradecido como passou a ser chamado, foi percebida de diferentes formas e há até quem afirme que o José tinha momentos de agressividade quando se deparava com mulheres de minissaia, cabelos curtos, maquiagem, adereços.
Fato é que seus murais e os valores por ele difundidos marcaram a cidade do Rio de Janeiro e novamente estão sendo resgatados para conhecimento do povo e quiçá sirva para reflexão e prática não apenas do povo do Rio, mas de toda a sociedade brasileira.
Ainda que a minha interpretação para gentileza contrarie a média das definições encontradas nos dicionários onde a diferenciam de educação e a classificam como qualidade ou caráter de alguém nobre, penso que exercitar gentileza é se colocar no lugar do outro, é ser ético, respeitar os limites, reconhecer e valorizar as qualidades, é ser cidadão em sua plenitude.
Precisamos perceber a importância de vivermos em harmonia e em paz com tudo e todos que estão a nossa volta, revermos valores e princípios para tornar os nossos dias agradáveis e bons de serem vividos. Quero oportunamente opinar sobre gentileza em importantes áreas do nosso cotidiano, mas nesta primeira abordagem vou me limitar a uma prática elementar que pode contribuir em muito para o bem estar das pessoas.
Experimente já nos primeiros instantes da manhã desejar um ótimo dia as pessoas da sua casa: esposa, filhos, pai, mãe, irmãos. Encoraje-se a dizer o quanto os ama e da importância de tê-los fazendo parte da sua vida. A princípio, se esta não for a sua prática, as pessoas vão estranhar um pouco, não se incomode, persista, seja verdadeiro, logo perceberá como é bom para todos e para o ambiente.
Sobre o percurso entre sua casa e o local de trabalho, escola, quero dedicar um texto especial. Assim que chegar ao seu destino evite ser econômico nos cumprimentos, não excetue ninguém, invista muitos bons dias, sonoros e acompanhados de sorrisos se possível. Observe que mesmo as pessoas mais carrancudas, quando surpreendidas com cumprimentos sinceros se rendem e acabam esboçando sorrisos e sentimentos positivos, mesmo que tímidos.
Se esforce para que nenhuma conversa seja iniciada na sua rotina sem cumprimento, não deixe escapar a oportunidade de desejar um bom dia, uma boa semana, uma boa noite, boa tarde, seja por telefone, nas mensagens eletrônicas, pessoalmente, enfim, externe os sentimentos que você gostaria de sentir nas pessoas, se coloque no lugar do outro, do seu próximo.
Posso assegurar-lhe que já nos primeiros dias você perceberá a reação positiva, as retribuições, as manifestações de satisfação. Somos seres criados para viver em sociedade, somos carentes de afeto e ser reconhecidos como tal agrada os nossos corações.
Em tudo na vida temos opções a serem feitas, neste caso podemos escolher entre esconder os sentimentos, evitarmos palavras de afeto, cumprimentos agradáveis ou simplesmente sermos felizes deixando os nossos corações e as nossas bocas livres para externar o que temos de bom para as pessoas. Faça sua opção e viva melhor com gentileza.
Sydnei Ulisses é consultor em relações de consumo e trânsito – sydneiulisses@gmail.com
A vida do "profeta" Gentileza ou José Agradecido como passou a ser chamado, foi percebida de diferentes formas e há até quem afirme que o José tinha momentos de agressividade quando se deparava com mulheres de minissaia, cabelos curtos, maquiagem, adereços.
Fato é que seus murais e os valores por ele difundidos marcaram a cidade do Rio de Janeiro e novamente estão sendo resgatados para conhecimento do povo e quiçá sirva para reflexão e prática não apenas do povo do Rio, mas de toda a sociedade brasileira.
Ainda que a minha interpretação para gentileza contrarie a média das definições encontradas nos dicionários onde a diferenciam de educação e a classificam como qualidade ou caráter de alguém nobre, penso que exercitar gentileza é se colocar no lugar do outro, é ser ético, respeitar os limites, reconhecer e valorizar as qualidades, é ser cidadão em sua plenitude.
Precisamos perceber a importância de vivermos em harmonia e em paz com tudo e todos que estão a nossa volta, revermos valores e princípios para tornar os nossos dias agradáveis e bons de serem vividos. Quero oportunamente opinar sobre gentileza em importantes áreas do nosso cotidiano, mas nesta primeira abordagem vou me limitar a uma prática elementar que pode contribuir em muito para o bem estar das pessoas.
Experimente já nos primeiros instantes da manhã desejar um ótimo dia as pessoas da sua casa: esposa, filhos, pai, mãe, irmãos. Encoraje-se a dizer o quanto os ama e da importância de tê-los fazendo parte da sua vida. A princípio, se esta não for a sua prática, as pessoas vão estranhar um pouco, não se incomode, persista, seja verdadeiro, logo perceberá como é bom para todos e para o ambiente.
Sobre o percurso entre sua casa e o local de trabalho, escola, quero dedicar um texto especial. Assim que chegar ao seu destino evite ser econômico nos cumprimentos, não excetue ninguém, invista muitos bons dias, sonoros e acompanhados de sorrisos se possível. Observe que mesmo as pessoas mais carrancudas, quando surpreendidas com cumprimentos sinceros se rendem e acabam esboçando sorrisos e sentimentos positivos, mesmo que tímidos.
Se esforce para que nenhuma conversa seja iniciada na sua rotina sem cumprimento, não deixe escapar a oportunidade de desejar um bom dia, uma boa semana, uma boa noite, boa tarde, seja por telefone, nas mensagens eletrônicas, pessoalmente, enfim, externe os sentimentos que você gostaria de sentir nas pessoas, se coloque no lugar do outro, do seu próximo.
Posso assegurar-lhe que já nos primeiros dias você perceberá a reação positiva, as retribuições, as manifestações de satisfação. Somos seres criados para viver em sociedade, somos carentes de afeto e ser reconhecidos como tal agrada os nossos corações.
Em tudo na vida temos opções a serem feitas, neste caso podemos escolher entre esconder os sentimentos, evitarmos palavras de afeto, cumprimentos agradáveis ou simplesmente sermos felizes deixando os nossos corações e as nossas bocas livres para externar o que temos de bom para as pessoas. Faça sua opção e viva melhor com gentileza.
Sydnei Ulisses é consultor em relações de consumo e trânsito – sydneiulisses@gmail.com
sábado, 31 de outubro de 2009
CONSUMIDOR
DEFESA DO CONSUMIDOR PARA MAIS 20 ANOS
Nestes dias (28 a 30 de outubro), tive a feliz oportunidade de participar do VI Congresso Nacional de Defesa do Consumidor. O evento sediado em Sergipe reuniu grandes nomes da área como dirigentes de Procons, representantes do Ministério da Justiça, do judiciário e do Ministério Publico de vários estados.
O momento inaugurou as atividades de comemoração do vigésimo aniversário do Código de Defesa do Consumidor (CDC), e foi possível perceber as expectativas dos participantes em definir diretrizes para as próximas duas décadas.
A avaliação do período vivido desde 1990 demonstra avanços importantes, o nível de conscientização da sociedade quanto aos seus direitos foi potencializado pela organização de Procons, de entidades civis, de promotorias de justiça, todos atores importantes na defesa dos cidadãos. Apesar dos avanços muito precisa ser feito para que o cidadão seja de fato protegido como consumidor.
Das várias abordagens do Congresso, um aspecto me chamou especial atenção: A importância de fortalecer os órgãos administrativos (Procons) para evitar que os cidadãos tenham que recorrer ao judiciário para resolver demandas individuais.
As empresas menos comprometidas com a qualidade de seus produtos e serviços acabam transformando os Procons em balcões de atendimento e muitas delas pouco se importam com as reclamações obrigando as pessoas a procurarem os juizados. Parte dos reclamantes desiste facilitando a vida dos maus fornecedores.
Penso que o Ministério Público precisa se aliar aos Procons e ser o interlocutor dos anseios da sociedade de fato. É verdade que isso já acontece em muitos estados brasileiros, mas esta parceria ainda se mostra muito discreta e precisa ser potencializada.
Os setores de fiscalização precisam ser fortalecidos, as práticas abusivas do comércio devem ser barradas com medidas que eduquem, mas também que pesem nos bolsos. Supor que campanhas educativas são suficientes para sensibilizar os fornecedores a respeitar os preceitos do CDC é ingenuidade.
As decisões homologadas nos Procons ganharão importância se forem reconhecidas pelos Juizados Especiais, o que pode ocorrer por convênio firmado entre o judiciário e o órgão administrativo, a exemplo do que já existe em várias cidades brasileiras.
Por fim, acredito que empresas habituadas ao desrespeito só se preocuparão em atender os consumidores de forma adequada quando custar caro lesar o cidadão. Assim, acredito que é necessária a aplicação de sanções severas a serem depositadas em fundos de interesse coletivo encerrando a argumentação dos magistrados em evitar o enriquecimento dos reclamantes em decorrência das indenizações que pouco incomodam, sobretudo os poderosos de setores conhecidos pelo volume de reclamações como bancos e telefonia.
Sydnei Ulisses de Melo é ex-coordenador do Procon Ribeirão Preto
sydneiulisses@gmail.com
www.sydnei-ulisses.blogspot.com
Nestes dias (28 a 30 de outubro), tive a feliz oportunidade de participar do VI Congresso Nacional de Defesa do Consumidor. O evento sediado em Sergipe reuniu grandes nomes da área como dirigentes de Procons, representantes do Ministério da Justiça, do judiciário e do Ministério Publico de vários estados.
O momento inaugurou as atividades de comemoração do vigésimo aniversário do Código de Defesa do Consumidor (CDC), e foi possível perceber as expectativas dos participantes em definir diretrizes para as próximas duas décadas.
A avaliação do período vivido desde 1990 demonstra avanços importantes, o nível de conscientização da sociedade quanto aos seus direitos foi potencializado pela organização de Procons, de entidades civis, de promotorias de justiça, todos atores importantes na defesa dos cidadãos. Apesar dos avanços muito precisa ser feito para que o cidadão seja de fato protegido como consumidor.
Das várias abordagens do Congresso, um aspecto me chamou especial atenção: A importância de fortalecer os órgãos administrativos (Procons) para evitar que os cidadãos tenham que recorrer ao judiciário para resolver demandas individuais.
As empresas menos comprometidas com a qualidade de seus produtos e serviços acabam transformando os Procons em balcões de atendimento e muitas delas pouco se importam com as reclamações obrigando as pessoas a procurarem os juizados. Parte dos reclamantes desiste facilitando a vida dos maus fornecedores.
Penso que o Ministério Público precisa se aliar aos Procons e ser o interlocutor dos anseios da sociedade de fato. É verdade que isso já acontece em muitos estados brasileiros, mas esta parceria ainda se mostra muito discreta e precisa ser potencializada.
Os setores de fiscalização precisam ser fortalecidos, as práticas abusivas do comércio devem ser barradas com medidas que eduquem, mas também que pesem nos bolsos. Supor que campanhas educativas são suficientes para sensibilizar os fornecedores a respeitar os preceitos do CDC é ingenuidade.
As decisões homologadas nos Procons ganharão importância se forem reconhecidas pelos Juizados Especiais, o que pode ocorrer por convênio firmado entre o judiciário e o órgão administrativo, a exemplo do que já existe em várias cidades brasileiras.
Por fim, acredito que empresas habituadas ao desrespeito só se preocuparão em atender os consumidores de forma adequada quando custar caro lesar o cidadão. Assim, acredito que é necessária a aplicação de sanções severas a serem depositadas em fundos de interesse coletivo encerrando a argumentação dos magistrados em evitar o enriquecimento dos reclamantes em decorrência das indenizações que pouco incomodam, sobretudo os poderosos de setores conhecidos pelo volume de reclamações como bancos e telefonia.
Sydnei Ulisses de Melo é ex-coordenador do Procon Ribeirão Preto
sydneiulisses@gmail.com
www.sydnei-ulisses.blogspot.com
terça-feira, 20 de outubro de 2009
CONSUMIDOR BANCÁRIO
DDA E OS BANCÁRIOS
Sou do tempo em que as maquinas autenticadoras eram mecânicas, a conferencia de documentos era manual e o bancário era profissional valorizado. Não pensem que faz tanto tempo assim, menos de trinta anos. Greve de bancários parava o país e banqueiros negociavam condições de trabalho mais adequadas.
O tempo passou e deixei de ser bancário, apesar disso, continuei guardando profundo respeito por estes profissionais, ao ponto de até pouco tempo fazer questão de efetuar os meus depósitos e pagamentos no guichê de caixa, direito assegurado nas regras "escritas" pelo Banco Central.
A partir dos maus tratos recebidos na boca dos caixas comecei a perceber a forte tendência dos bancos a manter o cliente, ou não cliente, fora das agências. Caixas instalados em andares superiores e em numero reduzido como fez o Banco do Brasil, atendimento com hora marcada impedindo cidadãos de usarem o caixa como fez Caixa Federal a até pouco tempo atrás, enfim, manobras de toda natureza para tirar o cliente de dentro das agências.
Para minha surpresa, certo dia na boca do caixa no Banco do Brasil, fui severamente questionado por um funcionário devido a minha insistência em pagar a conta de luz aproveitando que já estava no guichê sacando um determinado valor, fui informado, aos solavancos, que pagamento da conta de luz só pode ser realizado no caixa eletrônico, limitação proibida pelas resoluções do Banco Central. Percebi ali que eu estava mais preocupado com a manutenção dos empregos dos bancários que os próprios.
Os clientes passaram a ser barrados nas portas das agências e literalmente empurrados para os caixas eletrônicos, inclusive os mais frágeis que em muitos momentos se sujeitam a intervenção de estagiários e aprendizes colocados estrategicamente nas áreas de serviços eletrônicos. Já presenciei idoso informando senha em alto som para poder ter acesso a serviços eletrônicos, constrangendo o atendente e o próprio idoso.
O importante nesta história é que os usuários não cheguem ao caixa e os bancos têm conseguido seus intentos de forma surpreendente, ao ponto de estarmos passando por uma greve que já foi parcialmente interrompida, mantida apenas pelos bancos públicos em Sergipe, e o que mudou na vida das pessoas? Nada.
Excetuando alguns poucos profissionais da área imobiliária que estão com seus contratos sem trâmite e por conseqüência prejudicando compradores e vendedores dos imóveis, as demais pessoas vivem normalmente sem tomarem conhecimento do que está acontecendo.
Noticiários alardeiam o lançamento de mais um serviço que permitirá o pagamento de contas de forma programada e on-line, o Débito Direto Automático - DDA, mais uma inovação que fará o bancário ainda menos imprescindível para as pessoas. Verdade que apenas para internautas por enquanto, mas o DDA que para mim quer dizer Dispensa Direta de Alguns, em breve se tornará DDM e a definição não será Débito Direto Múltiplo e sim Demissão Direta de Muitos.
Penso que o movimento sindical precisa repensar rapidamente suas estratégias e avaliar a importância de cobrar dos bancos o cumprimento das regras previstas em resoluções do Banco Central e sensibilizar a categoria de que sem clientes nas agências o numero de profissionais bancários, excetuando os de informática, será cada vez menor.
Eu, por exemplo, já fui tantas vezes mal recebido por funcionários em caixa de bancos que desisti. Aderi a todos os serviços eletrônicos que o meu conhecimento digital permitiu e vou ficar assistindo minguar uma categoria da qual já fiz parte e guardo carinho e respeito.
Sydnei Ulisses de Melo é ex-coordenador do Procon de Ribeirão Preto
Sou do tempo em que as maquinas autenticadoras eram mecânicas, a conferencia de documentos era manual e o bancário era profissional valorizado. Não pensem que faz tanto tempo assim, menos de trinta anos. Greve de bancários parava o país e banqueiros negociavam condições de trabalho mais adequadas.
O tempo passou e deixei de ser bancário, apesar disso, continuei guardando profundo respeito por estes profissionais, ao ponto de até pouco tempo fazer questão de efetuar os meus depósitos e pagamentos no guichê de caixa, direito assegurado nas regras "escritas" pelo Banco Central.
A partir dos maus tratos recebidos na boca dos caixas comecei a perceber a forte tendência dos bancos a manter o cliente, ou não cliente, fora das agências. Caixas instalados em andares superiores e em numero reduzido como fez o Banco do Brasil, atendimento com hora marcada impedindo cidadãos de usarem o caixa como fez Caixa Federal a até pouco tempo atrás, enfim, manobras de toda natureza para tirar o cliente de dentro das agências.
Para minha surpresa, certo dia na boca do caixa no Banco do Brasil, fui severamente questionado por um funcionário devido a minha insistência em pagar a conta de luz aproveitando que já estava no guichê sacando um determinado valor, fui informado, aos solavancos, que pagamento da conta de luz só pode ser realizado no caixa eletrônico, limitação proibida pelas resoluções do Banco Central. Percebi ali que eu estava mais preocupado com a manutenção dos empregos dos bancários que os próprios.
Os clientes passaram a ser barrados nas portas das agências e literalmente empurrados para os caixas eletrônicos, inclusive os mais frágeis que em muitos momentos se sujeitam a intervenção de estagiários e aprendizes colocados estrategicamente nas áreas de serviços eletrônicos. Já presenciei idoso informando senha em alto som para poder ter acesso a serviços eletrônicos, constrangendo o atendente e o próprio idoso.
O importante nesta história é que os usuários não cheguem ao caixa e os bancos têm conseguido seus intentos de forma surpreendente, ao ponto de estarmos passando por uma greve que já foi parcialmente interrompida, mantida apenas pelos bancos públicos em Sergipe, e o que mudou na vida das pessoas? Nada.
Excetuando alguns poucos profissionais da área imobiliária que estão com seus contratos sem trâmite e por conseqüência prejudicando compradores e vendedores dos imóveis, as demais pessoas vivem normalmente sem tomarem conhecimento do que está acontecendo.
Noticiários alardeiam o lançamento de mais um serviço que permitirá o pagamento de contas de forma programada e on-line, o Débito Direto Automático - DDA, mais uma inovação que fará o bancário ainda menos imprescindível para as pessoas. Verdade que apenas para internautas por enquanto, mas o DDA que para mim quer dizer Dispensa Direta de Alguns, em breve se tornará DDM e a definição não será Débito Direto Múltiplo e sim Demissão Direta de Muitos.
Penso que o movimento sindical precisa repensar rapidamente suas estratégias e avaliar a importância de cobrar dos bancos o cumprimento das regras previstas em resoluções do Banco Central e sensibilizar a categoria de que sem clientes nas agências o numero de profissionais bancários, excetuando os de informática, será cada vez menor.
Eu, por exemplo, já fui tantas vezes mal recebido por funcionários em caixa de bancos que desisti. Aderi a todos os serviços eletrônicos que o meu conhecimento digital permitiu e vou ficar assistindo minguar uma categoria da qual já fiz parte e guardo carinho e respeito.
Sydnei Ulisses de Melo é ex-coordenador do Procon de Ribeirão Preto
segunda-feira, 2 de março de 2009
CONSUMIDOR BANCÁRIO
0013 HOSTILIDADE / CAMPANHA CONTRA BB
Todos sabemos que a abertura de conta corrente nem sempre está associado a vontade do cliente, sobretudo porque os empregadores indicam o banco da preferência para o crédito de salários e pronto. Assim, resta-nos sujeitarmos ao atendimento da vontade do patrão.
Também sabemos que o direito a conta-salário, aquela que permite ao empregado a transferência de seu salário, sem custo, para o banco de sua preferência, como preceitua resoluções recentes do Banco Central, não passa de uma grande falácia, e que o empregado estará sempre sujeito aos interesses da relação empregador / banco.
Imagine que você abre uma conta corrente no banco brasileiro que acumula 200 anos de existência e que por questão de preferência resolve não aderir aos produtos de praxe como caderneta de poupança, limite de crédito, cartão de crédito, estes produtos são aqueles que aparecem “pendurados” na sua conta mesmo sem a sua solicitação formal. Dizem alguns que na abertura da conta está implícita a autorização para todas estas surpresas.
Imagine ainda que insistentemente apareça limite crédito e débitos de tarifas, mesmo após diversas manifestações do cliente solicitando a extinção das cobranças e a retirada do produto (limite de crédito), que não lhe interessa. Pois bem, para o Banco do Brasil uma das alternativas para resolver a questão é inserir uma restrição pouco educada e ofensiva que qualifica o cliente como hostil. Assim, passa a ser verificada no cadastro do correntista a seguinte anotação: 0013 HOSTILIDADE / CAMPANHA CONTRA BB.
Ao questionar o banco quanto à agressividade da anotação obtive informação de que tal mecanismo é eficiente para atender a vontade de clientes que não querem receber os produtos “automáticos” e que o cadastro só pode ser verificado no sistema interno do banco, logo, “só os 91 mil funcionários da rede Banco do Brasil (BB)” terão acesso a informação da sua hostilidade.
Hostilidade: Ação ou efeito de hostilizar; qualidade daquele ou daquilo que é hostil; ato de inimigo; agressão; provocação, (http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx) . Vejam que a definição de hostilidade verificada nos dicionários não contempla de nenhuma forma o exercício ao direito elementar da livre escolha na aquisição de produtos e serviços, também não contempla a obrigação de todo fornecedor de só entregar produtos ou serviços se efetivamente solicitados e com a concordância dos consumidores.
Se por exercitar a cidadania e direitos essenciais na relação de consumo cabe aos cidadãos a pecha de hostil, então é bom que sejamos mesmo. De qualquer forma vale tornar publico tal prática e sugerir aos clientes de bancos que solicitem conhecer as anotações de cadastro, quem sabe você também é considerado agressivo, inimigo, provocador, e ainda não foi informado.
Já que o comando 0013 HOSTILIDADE / CAMPANHA CONTRA BB, a partir de agora é conhecido de todos, é possível que a Instituição se sensibilize e corrija tal prática. Ao menos se depender de mim, chegará ao conhecimento do Banco Central, do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério Publico do Consumidor em Sergipe e até do Presidente da Republica. Tenho absoluta certeza que o presidente Lula desconhece esta forma de tratamento dispensado aos cidadãos brasileiros no BB e que certamente reprovaria tal absurdo.
Sydnei Ulisses de Melo é consultor das relações de consumo e ex-coordenador de Procon de Ribeirão Preto – sydneiulisses@gmail.com – www.sydnei-ulisses.blogspot.com
Todos sabemos que a abertura de conta corrente nem sempre está associado a vontade do cliente, sobretudo porque os empregadores indicam o banco da preferência para o crédito de salários e pronto. Assim, resta-nos sujeitarmos ao atendimento da vontade do patrão.
Também sabemos que o direito a conta-salário, aquela que permite ao empregado a transferência de seu salário, sem custo, para o banco de sua preferência, como preceitua resoluções recentes do Banco Central, não passa de uma grande falácia, e que o empregado estará sempre sujeito aos interesses da relação empregador / banco.
Imagine que você abre uma conta corrente no banco brasileiro que acumula 200 anos de existência e que por questão de preferência resolve não aderir aos produtos de praxe como caderneta de poupança, limite de crédito, cartão de crédito, estes produtos são aqueles que aparecem “pendurados” na sua conta mesmo sem a sua solicitação formal. Dizem alguns que na abertura da conta está implícita a autorização para todas estas surpresas.
Imagine ainda que insistentemente apareça limite crédito e débitos de tarifas, mesmo após diversas manifestações do cliente solicitando a extinção das cobranças e a retirada do produto (limite de crédito), que não lhe interessa. Pois bem, para o Banco do Brasil uma das alternativas para resolver a questão é inserir uma restrição pouco educada e ofensiva que qualifica o cliente como hostil. Assim, passa a ser verificada no cadastro do correntista a seguinte anotação: 0013 HOSTILIDADE / CAMPANHA CONTRA BB.
Ao questionar o banco quanto à agressividade da anotação obtive informação de que tal mecanismo é eficiente para atender a vontade de clientes que não querem receber os produtos “automáticos” e que o cadastro só pode ser verificado no sistema interno do banco, logo, “só os 91 mil funcionários da rede Banco do Brasil (BB)” terão acesso a informação da sua hostilidade.
Hostilidade: Ação ou efeito de hostilizar; qualidade daquele ou daquilo que é hostil; ato de inimigo; agressão; provocação, (http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx) . Vejam que a definição de hostilidade verificada nos dicionários não contempla de nenhuma forma o exercício ao direito elementar da livre escolha na aquisição de produtos e serviços, também não contempla a obrigação de todo fornecedor de só entregar produtos ou serviços se efetivamente solicitados e com a concordância dos consumidores.
Se por exercitar a cidadania e direitos essenciais na relação de consumo cabe aos cidadãos a pecha de hostil, então é bom que sejamos mesmo. De qualquer forma vale tornar publico tal prática e sugerir aos clientes de bancos que solicitem conhecer as anotações de cadastro, quem sabe você também é considerado agressivo, inimigo, provocador, e ainda não foi informado.
Já que o comando 0013 HOSTILIDADE / CAMPANHA CONTRA BB, a partir de agora é conhecido de todos, é possível que a Instituição se sensibilize e corrija tal prática. Ao menos se depender de mim, chegará ao conhecimento do Banco Central, do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, do Ministério Publico do Consumidor em Sergipe e até do Presidente da Republica. Tenho absoluta certeza que o presidente Lula desconhece esta forma de tratamento dispensado aos cidadãos brasileiros no BB e que certamente reprovaria tal absurdo.
Sydnei Ulisses de Melo é consultor das relações de consumo e ex-coordenador de Procon de Ribeirão Preto – sydneiulisses@gmail.com – www.sydnei-ulisses.blogspot.com
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
QUEM ATRAPALHA O TRÂNSITO EM ARACAJU?
Para a SMTT os candidatos à habilitação atrapalham o trânsito em Aracaju, por isso 18 avenidas da cidade formarão a lista de logradouros aonde o direito de ir e vir dos aprendizes estará impedido. A afirmação registrada nesta quarta-feira na imprensa da cidade é de deixar pasmo qualquer profissional da área.
A partir de agora o que já era ruim vai ficar ainda pior. São inúmeras as situações em que cidadãos mal educados importunam candidatos a carteira de motorista como se nunca tivessem passado por um aprendizado, quem sabe não passaram mesmo já que segundo pesquisa do ibope 30% dos condutores de automóveis e 60% dos motociclistas jamais passaram por um Centro de Formação (auto-escola).
O que lamentamos é que esta afirmação da autoridade de trânsito alimenta o sentimento de perseguição contra pessoas em aprendizado e potencializa as práticas violentas usadas diariamente contra os alunos: As buzinas, maioria ilegais não fiscalizadas, como é o caso dos microônibus, agora estarão “justificadas” vez que os carros de aprendizes atrapalham o trânsito. Os grandes ônibus que freiam sem guardar distância de segurança para intimidar e assustar aprendizes estarão apenas “pedindo passagem”.
O trânsito em Aracaju é ruim, mas não por conta dos aprendizes que andam na faixa da direita, em velocidade reduzida, sob os cuidados de instrutores profissionais que respondem pela segurança do candidato e da viatura. Bastaria tirar a placa branca e a faixa amarela com a inscrição de auto-escola para ninguém mais conseguir diferenciá-los da maioria dos condutores que estão nas vias, parte deles sem habilitação e com a certeza de que não serão punidos.
A propósito, sistematicamente tenho visto viaturas da policia militar estacionadas sobre a ciclovia do calçadão da 13 de julho, da última vez liguei para o 118 (número que o cidadão pode utilizar para denunciar os abusos cometidos no trânsito), e fui orientado a ligar para 190 ou se não desse resultado devia chamar a “reportagem”. Bom para os veículos de comunicação, mas um péssimo testemunho de que as leis de trânsito atingem apenas os “simples mortais”.
Mais importante que criar embaraços para a vida de candidatos e instrutores é coibir os ciclomotores (veículos de duas rodas com até 50 cilindradas), que transitam sem qualquer regra pondo em risco a vida das pessoas, sem capacetes, usando a contramão das ruas, atropelando pedestres, estacionando sobre calçadas, uma verdadeira “farra”.
Mais importante seria iniciar a educação para o trânsito no ensino médio como disciplina extracurricular permitindo que nossos jovens tivessem o direito de entender, entre outros conceitos elementares, porque as bicicletas devem transitar no mesmo sentido que o trânsito, porque é necessário e obrigatório instalar espelho, buzina, refletores e qual a importância de conhecer e respeitar o Código de Trânsito Brasileiro (possibilidade prevista na resolução Contran – 265/07 e que pode ser implementado nas escolas municipais e particulares).
Não me recordo do último acidente com vitima envolvendo veiculo de auto-escola, diferente disso os acidentes com ciclistas são rotineiros até porque não recebem qualquer treinamento que oriente o comportamento na via.
Apenas para recordar, fiscalizar e educar ciclistas, emplacar ciclomotores, cobrar a habilitação necessária para estes veículos e regular o transito de veículos de tração animal são responsabilidades do município.
A partir de agora o que já era ruim vai ficar ainda pior. São inúmeras as situações em que cidadãos mal educados importunam candidatos a carteira de motorista como se nunca tivessem passado por um aprendizado, quem sabe não passaram mesmo já que segundo pesquisa do ibope 30% dos condutores de automóveis e 60% dos motociclistas jamais passaram por um Centro de Formação (auto-escola).
O que lamentamos é que esta afirmação da autoridade de trânsito alimenta o sentimento de perseguição contra pessoas em aprendizado e potencializa as práticas violentas usadas diariamente contra os alunos: As buzinas, maioria ilegais não fiscalizadas, como é o caso dos microônibus, agora estarão “justificadas” vez que os carros de aprendizes atrapalham o trânsito. Os grandes ônibus que freiam sem guardar distância de segurança para intimidar e assustar aprendizes estarão apenas “pedindo passagem”.
O trânsito em Aracaju é ruim, mas não por conta dos aprendizes que andam na faixa da direita, em velocidade reduzida, sob os cuidados de instrutores profissionais que respondem pela segurança do candidato e da viatura. Bastaria tirar a placa branca e a faixa amarela com a inscrição de auto-escola para ninguém mais conseguir diferenciá-los da maioria dos condutores que estão nas vias, parte deles sem habilitação e com a certeza de que não serão punidos.
A propósito, sistematicamente tenho visto viaturas da policia militar estacionadas sobre a ciclovia do calçadão da 13 de julho, da última vez liguei para o 118 (número que o cidadão pode utilizar para denunciar os abusos cometidos no trânsito), e fui orientado a ligar para 190 ou se não desse resultado devia chamar a “reportagem”. Bom para os veículos de comunicação, mas um péssimo testemunho de que as leis de trânsito atingem apenas os “simples mortais”.
Mais importante que criar embaraços para a vida de candidatos e instrutores é coibir os ciclomotores (veículos de duas rodas com até 50 cilindradas), que transitam sem qualquer regra pondo em risco a vida das pessoas, sem capacetes, usando a contramão das ruas, atropelando pedestres, estacionando sobre calçadas, uma verdadeira “farra”.
Mais importante seria iniciar a educação para o trânsito no ensino médio como disciplina extracurricular permitindo que nossos jovens tivessem o direito de entender, entre outros conceitos elementares, porque as bicicletas devem transitar no mesmo sentido que o trânsito, porque é necessário e obrigatório instalar espelho, buzina, refletores e qual a importância de conhecer e respeitar o Código de Trânsito Brasileiro (possibilidade prevista na resolução Contran – 265/07 e que pode ser implementado nas escolas municipais e particulares).
Não me recordo do último acidente com vitima envolvendo veiculo de auto-escola, diferente disso os acidentes com ciclistas são rotineiros até porque não recebem qualquer treinamento que oriente o comportamento na via.
Apenas para recordar, fiscalizar e educar ciclistas, emplacar ciclomotores, cobrar a habilitação necessária para estes veículos e regular o transito de veículos de tração animal são responsabilidades do município.
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Violência no trânsito
TRÂNSITO SERGIPANO MATA MAIS QUE ARMA DE FOGO
Das mortes violentas registradas no Estado de Sergipe no ano de 2008, 29,85% aconteceram decorrentes de acidentes no trânsito. O segundo motivador de mortes, as armas de fogo, registraram 14,10%, menos da metade do número atribuído ao trânsito.
Segundo o Instituto Médico Legal (IML), foram 455 pessoas em todo o Estado. Em Aracaju o registro é de 122 óbitos, pouco mais que um quarto do total (26,81%), motivo suficiente para refletirmos sobre o que representa a violência no trânsito em nossas cidades.
Os expressivos índices do trânsito evidentemente não atingem Sergipe de forma diferenciada se comparado aos demais grandes centros urbanos. São 35000 vitimas espalhadas pelo Brasil ano após ano, o que demonstra que o coletivo do trânsito brasileiro carece de investimentos em educação e fiscalização.
Como instrutor de trânsito que convive diariamente com candidatos a 1ª habilitação, percebo a falta de perspectiva das pessoas que demonstram não acreditar em mudanças efetivas capazes de poupar as vidas que são ceifadas nas ruas. Um reclamo comum é que mais importante do que ter Carteira Nacional de Habilitação (CNH), é ter “amigos”. Quero crer que tal sentimento não espelha a realidade dos órgãos criados para fiscalizar o cumprimento do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Mas, se esta questão realmente existe, resta-nos a lamentação e a certeza de que tal fato custa muito caro para o poder publico e para toda a sociedade.
Sabemos que o número de pessoas presentes nas vias conduzindo veículos automotores sem habilitação é muito grande. Segundo pesquisa Ibope de 2007, representa 30% dos automóveis e 61% das motocicletas. É perceptível a falta de conhecimento dos condutores que se comportam agressivamente incomodando outros motoristas, ameaçando pedestres até nas travessias sobre faixas próprias, e que se acham verdadeiros “ases” da direção.
Não perco a oportunidade de dizer aos candidatos que ser condutor pressupõe aprendizado prático e teórico desenvolvido por profissionais treinados e credenciados pelos órgãos de trânsito, e inclusive oriento-os a não iniciar o contato com veículos tendo como referencia outro condutor que não seja instrutor e que em muitos casos dirige agressivamente. Para perceber como os veículos são entregues a pessoas não habilitadas basta passar pelo estacionamento do Mercado Municipal em Aracaju e observar os inúmeros carros particulares fazendo manobras sob a orientação de “instrutores” não autorizados.
Reduzir o número de mortes no trânsito está intimamente ligado à inclusão do tema “trânsito” nas escolas, possibilidade já regulamentada pelo CONTRAN, à necessidade de investimentos consistentes que permitam treinar e equipar os nossos agentes de trânsito e à definitiva extinção do “jeitinho brasileiro” que faz com que muitas pessoas julguem desnecessário o cumprimento das leis vigentes.
As leis devem criar regras para todos, até porque as estatísticas do IML atingem pobres e ricos, negros e brancos, filhos dos mais simples cidadãos aos filhos das maiores autoridades, sem distinções, registrando a morte dos que julgam desnecessário respeitar as leis e as pessoas, e em alguns casos, vitimando cidadãos cumpridores de seus deveres.
Sydnei Ulisses de Melo é instrutor de trânsito – www.sydnei-ulisses.blogspot.com – sydneiulisses@gmail.com
Das mortes violentas registradas no Estado de Sergipe no ano de 2008, 29,85% aconteceram decorrentes de acidentes no trânsito. O segundo motivador de mortes, as armas de fogo, registraram 14,10%, menos da metade do número atribuído ao trânsito.
Segundo o Instituto Médico Legal (IML), foram 455 pessoas em todo o Estado. Em Aracaju o registro é de 122 óbitos, pouco mais que um quarto do total (26,81%), motivo suficiente para refletirmos sobre o que representa a violência no trânsito em nossas cidades.
Os expressivos índices do trânsito evidentemente não atingem Sergipe de forma diferenciada se comparado aos demais grandes centros urbanos. São 35000 vitimas espalhadas pelo Brasil ano após ano, o que demonstra que o coletivo do trânsito brasileiro carece de investimentos em educação e fiscalização.
Como instrutor de trânsito que convive diariamente com candidatos a 1ª habilitação, percebo a falta de perspectiva das pessoas que demonstram não acreditar em mudanças efetivas capazes de poupar as vidas que são ceifadas nas ruas. Um reclamo comum é que mais importante do que ter Carteira Nacional de Habilitação (CNH), é ter “amigos”. Quero crer que tal sentimento não espelha a realidade dos órgãos criados para fiscalizar o cumprimento do Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Mas, se esta questão realmente existe, resta-nos a lamentação e a certeza de que tal fato custa muito caro para o poder publico e para toda a sociedade.
Sabemos que o número de pessoas presentes nas vias conduzindo veículos automotores sem habilitação é muito grande. Segundo pesquisa Ibope de 2007, representa 30% dos automóveis e 61% das motocicletas. É perceptível a falta de conhecimento dos condutores que se comportam agressivamente incomodando outros motoristas, ameaçando pedestres até nas travessias sobre faixas próprias, e que se acham verdadeiros “ases” da direção.
Não perco a oportunidade de dizer aos candidatos que ser condutor pressupõe aprendizado prático e teórico desenvolvido por profissionais treinados e credenciados pelos órgãos de trânsito, e inclusive oriento-os a não iniciar o contato com veículos tendo como referencia outro condutor que não seja instrutor e que em muitos casos dirige agressivamente. Para perceber como os veículos são entregues a pessoas não habilitadas basta passar pelo estacionamento do Mercado Municipal em Aracaju e observar os inúmeros carros particulares fazendo manobras sob a orientação de “instrutores” não autorizados.
Reduzir o número de mortes no trânsito está intimamente ligado à inclusão do tema “trânsito” nas escolas, possibilidade já regulamentada pelo CONTRAN, à necessidade de investimentos consistentes que permitam treinar e equipar os nossos agentes de trânsito e à definitiva extinção do “jeitinho brasileiro” que faz com que muitas pessoas julguem desnecessário o cumprimento das leis vigentes.
As leis devem criar regras para todos, até porque as estatísticas do IML atingem pobres e ricos, negros e brancos, filhos dos mais simples cidadãos aos filhos das maiores autoridades, sem distinções, registrando a morte dos que julgam desnecessário respeitar as leis e as pessoas, e em alguns casos, vitimando cidadãos cumpridores de seus deveres.
Sydnei Ulisses de Melo é instrutor de trânsito – www.sydnei-ulisses.blogspot.com – sydneiulisses@gmail.com
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